
O Rio Grande do Norte desperdiçou quase 24% de toda a energia renovável gerada no acumulado de 2026, segundo dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). O volume representa uma parcela significativa da produção de parques eólicos e solares que deixou de ser aproveitada devido, principalmente, às limitações da infraestrutura de transmissão e ao chamado “curtailment”, quando a geração é reduzida por determinação do operador para garantir a segurança do sistema elétrico.
O estado, um dos maiores produtores de energia eólica do país e com rápida expansão da geração solar, enfrenta o desafio de escoar toda a eletricidade produzida. Apesar do potencial energético e dos investimentos realizados nos últimos anos, a capacidade das linhas de transmissão não acompanhou o crescimento da geração, obrigando o desligamento temporário de usinas em diversos momentos. O cenário gera prejuízos para empresas do setor, reduz a eficiência dos empreendimentos e limita o aproveitamento de uma matriz considerada limpa e estratégica para a transição energética brasileira.
Especialistas defendem que a ampliação da rede de transmissão é essencial para reduzir as perdas e permitir que a energia produzida no RN seja distribuída para outras regiões do país. Novos leilões de transmissão e investimentos em infraestrutura são apontados como fundamentais para destravar o setor, aumentar a competitividade do estado e garantir que a expansão das fontes renováveis ocorra de forma sustentável, sem que parte expressiva da produção continue sendo desperdiçada.